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Dez 18


                                            AVISO
 
Informamos todos os nossos frequentadores e Amigos, e ainda aqueles que queiram comparecer pela primeira vez, que a nossa Casa recomeçou ontem, dia 30 de Maio, as suas funções, retomando a partir da mesma data, as reuniões. doutrinárias conforme os nossos horários já fixados.
Muita paz para todos.
 
                                                                                      A DIRECÇÃO

Bem Vindo

Realmente, já devíamos ter deixado aqui uma mensagem a substituir as palavras de abertura… mas acontece, como julgamos que a muitos dos nossos leitores, que quando pensamos fazê-lo é sempre num momento inoportuno, adiando para mais tarde as palavras que, por vezes, demoram semanas senão meses a serem grafadas.

            Chegou hoje o dia… e o tema, como não podia deixar de ser, é a epidemia mundial que todos nós, em qualquer país, estamos enfrentando – uns com mais coragem que outros, uns recordando, realmente, que a nossa passagem pela Terra, planeta ainda de expiação, é sempre uma passagem temporária, porque o nosso verdadeiro mundo é o espiritual.

            Porquê esta epidemia mundial, porquê tantas mortes e tanto sofrimento? Porquê o não se ter descoberto, ainda, o medicamento que eliminaria de imediato este vírus, porquê ? Porquê? Porquê?

            O povo, a qualquer coisa de inexplicado que suceda, tem sempre aquela justificação do “porque Deus quer”… e, realmente, nós sabemos que nada acontece sem que Ele o permita – mas uma epidemia assim, a uma escala mundial, e ao mesmo tempo para todos, para além de assustar principalmente os que não têm fé, faz que cada um pense um pouco mais nos porquês ou razões do que se está a viver…

            Eu penso – e desculpem-me por falar na 1ª pessoa – eu penso, recordando os últimos anos vividos e naquilo que fomos presenciando, que o Senhor quis pôr um travão no nosso comportamento: estávamos todos a perder o que de bom já tínhamos conseguido e a preocuparmo-nos demais com a parte material da vida; fizemo-lo, fazíamo-lo, mas virando o rosto ao nosso irmão mais carente, ali mesmo ao nosso lado, e de quem não queríamos conhecer as suas dificuldades; fizemo-lo, olhando para nós e para o nosso supérfluo, esquecidos, muitos vezes, de olharmos mais carinhosamente os que coabitavam connosco, e – mais que de coisas materiais – precisavam sentir o nosso carinho, o nosso amor. Quantas vezes um filho não se terá aproximado da mãe ou do pai para um afago sendo afastado com palavras não ríspidas mas que diziam: não me incomodes agora!

            Quantas vezes o filhote não terá começado um abraço e ouvido de sua mãe: agora não, que me estragas o penteado!

            Nas casas da maioria de nós, abundam as TV’s, quase que uma em cada divisão; e a família, assim separada pelos seus interesses e gostos imediatos pelo programa que mais satisfazia um e outro, foi-se afastando, isolando, esquecidos da presença, esquecidos da comunicação e participação no dia a dia de cada um!

            E há ainda aquelas outras famílias que, para facilitarem o dia a dia, têm mais de um carro: um para cada membro e, se houver possibilidade, ainda mais um para o filho mais velho… e aquele transporte, que devia apenas ser para mais facilitar o dia de cada um – o tempo que se perde à espera de um autocarro! As voltas que se dão, com um carro só, a distribuir a família pelos locais onde devem ficar! – vai separando, afastando uns dos outros…

            Somos famílias de pessoas isoladas que vivem em conjunto! Não sabemos nada uns dos outros ou sabemos pouco de cada um!

            Cada um de nós foi perdendo o conceito do que é uma família!

            Esta quarentena, obrigando uns e outros a ficarmos em casa, no contacto familiar, trouxe ao de cima aquele conviver que já tinha deixado de existir: aos poucos, fomos criando situações de convivência uns com os outros; voltaram a acontecer conversas, brincadeiras com os filhos… Voltou a haver ternura!

            Costuma dizer-se que Deus, tudo o que faz é bem feito… e Ele, com esta epidemia, voltou a juntar e a “acordar” as famílias!... Foi como uma outra oportunidade que Ele nos concedeu, para sermos… melhores!

            As dificuldades materiais que vamos encontrar, depois de tudo passar e procurarmos voltar à normalidade que tínhamos antes, não sabemos ainda bem quais serão: dizem-nos que o “antes” não vai voltar, não vai acontecer! Vamos ter que nos unir num mesmo esforço para vivermos com o que surgir… talvez com menos empregos, talvez com menos dinheiro, com ordenados menores, e, quando tal aconteça, pondo de parte a ideia das aquisições supérfluas e, recordando, talvez, aquele familiar, ou amigo ou vizinho que pode estar com dificuldades maiores que as nossas e procurando medir as nossas dificuldades para minorar as dos outros…

            O recomeço vai trazer-nos à mente, amiudadas vezes, penso, o Mandamento do “Amai-vos uns aos outros”, completado por Jesus quando recomendou: “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei!”

            Para a Terra deixar de ser um mundo de expiação e tornar-se em regeneração, esta crise era necessária: tal como fazemos no “nosso mundo”, não podemos mudar de casa, deixando aquela que habitamos e partindo para outra, nova, sujando-a logo à entrada com todas as coisas que levamos connosco e de que não fizemos selecção por nos continuarem a  ser – ou não – úteis.

            A Terra nova, não pode manter, no seu bojo, o egoísmo, o orgulho, a inveja… Tudo isso tem de deixar de fazer parte de cada um de nós e da nossa “bagagem”…

            Levemos connosco, agora e sempre, aquele sentimento que deixámos adormecer, senão congelar – o sentimento do Amor, que gera o carinho de uns para com os outros!... e então, sim, poderemos aspirar a  habitarmos a Terra – mundo de regeneração!